7. ECONOMIA E NEGCIOS 10.4.13

1. TOMATES NO TOMBINI
2. QUANDO VALE ANTECIPAR A RESTITUIO DO IR

1. TOMATES NO TOMBINI
A postura hesitante do presidente do Banco Central pode colocar tudo a perder na bem-sucedida poltica de queda dos juros. S porque choveu na lavoura do tomate
Pedro Marcondes de Moura 

No precisa de curso superior, mestrado ou doutorado. Qualquer dona de casa, ao fazer compras no supermercado, sabe que o preo do tomate est exorbitante, que praticamente dobrou em relao ao ano passado e que, do jeito que est,  melhor no comprar. Escolhe-se outra hortalia para a salada e espera-se para ver se ele estar mais barato na prxima vez. Ela compreende o mecanismo dessa carestia temporria: chove demais na lavoura, a colheita diminui e, com menos oferta, o mercado cobra mais pelo produto. Normalizada a situao no campo, tudo volta ao que era antes.  bom que essa lio bsica de economia domstica seja ouvida no Banco Central antes da reunio do Comit de Poltica Monetria (Copom), nos prximos dias 16 e 17 de abril. Sem ela, teme-se que a equipe comandada pelo hesitante presidente do BC, Alexandre Tombini, tenha uma recada e faa uma releitura da famosa inflao do chuchu dos tempos da ditadura. L atrs, com informaes distorcidas, o governo transformou o vegetal em vilo, culpando-o pelo cenrio de descontrole geral dos preos. Hoje, a autoridade monetria pode vir a criar a inflao do tomate e, para combat-la, usar uma arma mais destruidora do que granizo caindo sobre a horta: a volta da alta dos juros.

TOMBINI - Pressionado pelo mercado financeiro, ele tem dado sinais de que vai ceder
 
Para deleite do mercado financeiro, saudoso do ganho fcil com as taxas elevadas, Tombini tem dado sinais de que vai ceder. Deixou isso claro na tera-feira passada, ao participar de uma audincia pblica na Comisso de Assuntos Econmicos do Senado. A inflao tem mostrado uma certa resistncia ao longo dos ltimos meses, afirmou durante a reunio. Vamos acompanhar o cenrio macroeconmico nesse perodo  frente para, ento, nas nossas reunies, decidirmos se e quando daremos um passo adicional, declarou. Apesar da falta de preciso na declarao, outros dirigentes do BC e especialistas estimam que a taxa Selic subir entre 0,25 e meio ponto percentual na prxima reunio do Copom. Ao ser confirmada, a mudana pode significar uma vitria dos que, ao perceberem a posio passiva de Tombini, passaram a difundir a ideia de que o Pas est perdendo a guerra contra a inflao e exigem a mudana nos juros como remdio vital para o problema. E uma derrota para aqueles que, como a presidenta Dilma Rousseff, enxergam uma presso nos preos, mas a entendem como um efeito temporrio e menor diante de um desafio maior: manter o Brasil no rumo do crescimento. Para isso, defendem a manuteno da poltica de queda nos juros e a adoo, pelas autoridades monetrias, de outras armas mais eficazes e menos danosas para solucionar a questo.
 
Essa presso inflacionria no se deve  grande demanda, mas  falta de oferta, afirma a professora Maryse Farhi, do Centro de Estudos de Conjuntura e Poltica Econmica do Instituto de Economia da Unicamp. Para ela, se o BC atacar a inflao por meio do aumento de juros, estar cometendo um srio erro. O que o Pas necessita  de investimentos tanto do poder pblico como da iniciativa privada para suprir  procura. Vivemos um grande perodo em que as empresas ganhavam com aplicaes. Agora, elas precisam assumir riscos, investir. Essa mudana de mentalidade precisa de um tempo, explica. Nesse sentido, o aumento de juros no s representaria um retrocesso como encareceria aqueles que querem produzir. Sem contar que o remdio pode ser mais forte que o paciente, levando o Pas a uma recesso. H doses mais leves e homeopticas, como a adoo de compulsrios.

Reclamao frequente dos setores produtivos brasileiros, a taxa bsica de juros passa por um processo de queda desde que Dilma assumiu o poder. De janeiro de 2011 at a ltima reduo, em outubro de 2012, caiu quatro pontos percentuais. Foi de 11,25% a 7,25% ao ano. Isso diminuiu o custeio do Pas com sua dvida, ampliando a capacidade de investimento. Como serve de parmetro para outras modalidades de emprstimo, barateou o crdito dos setores produtivos alavancando investimento. Teve, alm disso, outro papel fundamental: ajudou o Governo Federal a pressionar, via bancos estatais, outras instituies financeiras a diminuirem as taxas cobradas em operaes de crdito. Fenmeno que, somado aos ganhos mdios de renda, ajudou a populao a comprar mais e movimentar a economia. 


2. QUANDO VALE ANTECIPAR A RESTITUIO DO IR
Antecipar a devoluo do Imposto de Renda para pagar dvidas a juros mais altos pode ser uma opo para equilibrar o oramento 
por Pedro Marcondes de Moura

Ao declarar o Imposto de Renda, milhes de pessoas possuem valores a receber, j que foram tributadas a mais do que deveriam. Esse dinheiro pode cair na conta at dezembro de 2013 em um dos diferentes lotes da Receita. 
Para receber na hora, uma sada  contratar a antecipao da restituio, com juros mdios de 2,5% ao ms. A antecipao, no entanto, tem de ser vista como qualquer modalidade de emprstimo, diz Thiago Pessoa, coordenador da Investmania. S vale contrat-la para quitar dvidas com juros mais caros, como carto ou cheque especial, ou pagar despesas emergenciais. Os que optarem pelo adiantamento devem pesquisar quais instituies oferecem as melhores condies antes de entregar a declarao. Os bancos s fazem a operao queles que indicaram uma conta na instituio durante a entrega da declarao.

